Sobre este site

Algumas ideias e inspirações.

Esta é a quarta versão do meu portfolio online. As versões anteriores atravessaram linguagens, frameworks e formatos, mas o cerne era o mesmo: título, imagem e breve texto descritivo.

Cada versão refletia o que me interessava na época de sua implementação, mas principalmente meu conhecimento técnico e quais tecnologias web eram/são mais comuns. O primeiro portfolio (que o leitor pode encontrar neste link) era - talvez desnecessariamente - raiz. HTML, CSS e JavaScript com servidor nginx no digital ocean e certificados de segurança autogerados. Um trabalho medonho, que hoje faz pouco sentido, mas que teve como efeito a queda do próprio site após algum ataque que nunca procurei muito bem entender.

As duas versões seguintes foram um pouco mais arrazoadas, React (e NextJs) com upload na Vercel. Com um push, uma nova versão estava online e defender meu modesto site não era responsabilidade minha (pelo menos não totalmente).

Screenshot from 2025-09-18 16-11-30.png Primeira versão do portfolio

Screenshot from 2025-09-18 16-09-42.png Terceira versão do portfolio (a segunda se perdeu em algum datacenter no deserto americano)

Entre limitações técnicas e pouco repertório de referências e de habilidades em design digital, todas as versões guardam em comum um certo minimalismo, que pode ser tanto desculpa para minhas deficiências tecnológicas (eu escrevo isso sabendo que deveria ser um pouco mais imodesto neste texto) quanto uma espécie de estilo.

Dois anos após a última versão (de 2023), algumas coisas interessantes surgiram (tailwind virou o padrão de estilização do React, assim como NextJs e seus server components se tornaram o próprio paradigma da biblioteca) e outras tantas perderam importância em uma velocidade vertiginosa (CSS in JS sendo uma das principais delas). Naturalmente estes aspectos podem ser uma desculpa mínima e aceitável para desenvolver um novo portfolio, mas bem mais importante, ao meu ver, é a necessidade de, vez por outra, seguir em frente.

Neste seguir em frente, as ideias eram tão numerosas quanto confusas, mas ao menos comecei do começo, buscando referências. Desde o começo tinha em mente o portfolio de Pedro Duarte, da Raycast (e anteriormente Stitches), um equilíbrio muito bem construído entre complexidade técnica e apresentação direta do conteúdo. Chafurdando na internet, dei de cara com o site de Rauno Freiberg (com a versão anterior, no caso), um verdadeiro choque em sua complexidade. Fui sendo levado nessa direção, pensando o que faria meu próprio portfolio ser algo desse patamar, qual inovação visual tornaria o site de um desenvolvedor fullstack com menos de 4 anos de experiência chamar tanta a atenção quanto o de um dos principais designers UI da Vercel.

Mas mais uma (ou duas) chafurdadas mudaram completamente minha direção: as páginas web de Rasmus Andersson e Shu Ding. Dois profissionais de grande envergadura, sem muita coisa mais a provar (não que os citados acima tenham), mas que foram por um caminho da simplicidade, ou, por falta de expressão melhor, do minimalismo. Não faz sentido elaborar aqui um diálogo em defesa do conteúdo mínimo e tentar lhe dar um embasamento teórico, mas simplemente observando meus trabalhos anteriores, vi que sempre houve ali um minimalismo. E acho que não por saber tudo profundamente a ponto de despojar esse mesmo tudo do que não é mais necessário, mas justamente por nunca saber o suficiente, mas preferir ter a certeza (se isso é possível) sobre o que eu sei. Mas ao mesmo tempo tendo a noção que, na saturação doentia de novos conteúdos, tecnologias e posts de linkedin nos quais somos imersos, concluir algo, colocar o conhecimento em prática, é o que menos fazemos. Como falou de modo brilhante Sven Lindqvist, em uma frase que certamente seria a epígrafe de minha tese de doutorado se eu houvesse lido seu "Extermine todos os malditos" um ano atrás,

Não é conhecimento os que no falta. O que nos falta é olhar para aquilo que sabemos e tirar conclusões.

Nesse curto texto fui de 0 a 100 rapidamente em um celta preto (ou um uno com escada), mas meu ponto é que, por linhas tortas, este portfolio é uma expressão do que acho que, como desenvolvedores, pesquisadores, designers ou mesmo artistas, há de mais relevante a fazermos: olhar para o que sabemos e tirar conclusões, seja um site, uma tese ou uma instalação. Quem sabe quais novas conclusões tirarei daqui a 3 anos.